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Pretendo com este blogue partilhar, com quem quiser ler, os pensamentos e poemas que escrevi ao longo da minha vida. Deixem-me uma pequena mensagem quer gostem ou não do que lêem.

Maria da Saudade



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Segredos

Entrei num arvoredo
Assimétrico,
Com árvores plantadas
A ermo
Mas que não lhe roubava
A vantagem
De arquivar entre elas
Muitos segredos.

Parei entre elas
E olhei!
Encarei
Com uma a chorar!
Tinha testemunhado
Um drama
Dum casal sem amor
E se iam separar.

Mas outros sorriam
Lembrando namorados
Que ali iam passear
De mãos dadas,
Sonhos trocados,
Seus preferidos,
Com amor desenhados
E tantos beijos trocados.

Outras,
Suas folhas bailavam
Tocadas pelo vento suave
Que passava!
Sorri para elas
E perguntei a medo:
Vocês não me contam nada?
Nós nunca desvendamos os segredos.

A antiga azenha e a nora

A azenha e sua canção
Ri-rô-rião, Ri-rô-rião
Ri-rô-rião, Ri-rô-rião
Chia ela de manhã
De manhã e à tarde chia
Ela chia todos os dias
Ela Chia todo o Verão.
                                  O Miguel,
                                  Rapazinho desocupado,
                                  Era às vezes contratado
                                  Para ir tocar o boi
                                 Que puxava a dita azenha.
Coitadinho do animal…
Que, de olhos vendados,
Puxava pela nora
De água carregada
Horas e horas sem parar…
Por vezes, abrandando o passo
Com vontade de descansar…
                                  Toca o boi…
                                  Mandava o dono apressado
                                  Pois queria a horta regada.
O Miguel,
Que já anda ali há horas
Tapa os ouvidos e chora
Aborrecendo o ri-rião da nora
Com saudades de brincar.
                                  Disse atrás, a vossa mercê,
                                  Que chiava todos os dias
                                  Disse, e ficou dito!

                                  Mas agora já não chia
                                  Porque agora já não existe
                                  Isso agora já não vê!

É Mundo

Vejo o mundo embrulhado
       Vejo o ímpio a subir
              Vejo rir às gargalhadas
                     Vejo lágrimas a cair!
                            Vejo o parto sem dor
                                   Vejo gerar sem amor.
                                          Vejo o justo castigado
                                                 Com o coração a sorrir
                                                 Porque está esperançado
                                                 Que a geração que há-de vir
                                                 Virá mais humanizada.

Inocência perdida

Passou por mim uma pomba
Nas suas asas me levou
Visitar a inocência
Que em mim não encontrou.
Fiquei triste, envergonhada,
Por ter perdido essa herança

Inocência de criança
Devia durar toda a vida
Passa-se a adulto, há mudança
E a inocência é perdida.

Passou por mim um rio
Entre margens verdejantes
Olhou para mim e sorriu
Inocência, já não era sua amante.

À tarde, fui visitar o mar
E não vi nele pureza
Era tanta a turbulência
Que fiquei ali a pensar…
Este, com toda a certeza,
Também perdeu inocência.

À noite olhei para o Céu
Estava lindo, estrelado,
Como brilha, pensei eu,
Só tu és inocentado.

Palco da vida, palco de todos nós...

Biliões de habitantes
Há nesta esfera armilar
Um teatro em ponto grande
Uma plateia gigante
Um grande palco, onde vão representar
Quem são os actores?
Todos nós, não sabiam?
É uma fila sem parar…

Não duvides dos actores
Porque também já lá estiveste
Nesse palco de todos nós
Na comédia… Se faz favor!!...
Que bem representaste!!...
Mas no drama metias dó!
Na adulação… e… não só…
E de intriga te adornaste.

Não fiqueis admirados
Com isto que vou dizer:
Eu também servi de actriz
Certas vezes sem saber;
Mas por aquilo que se diz…
E como pode isso acontecer,
Se nunca fui ensaiada
Nem tão pouco informada?

Todos nós somos fiéis
A estes dois papéis:
Porque, sem querer, de um salto,
Estamos metidos num palco
E em baixo os espectadores…
Mas não perdes o outro favor
Amanhã, de certa maneira,
Estarás tu na plateia.

Desajustes

Fala de amor o coração
Por vezes, gritos de alerta saem da boca
                                                 Porquê?
Momentos loucos?
Diferenças que o mundo vê…
E então as vísceras se excitam
E a trovoada pode sair…

Falam de frustração
De invejas,
De instrução
De educação, de…, de…, de…
Que confusão!

Misturam assuntos do coração
De sentimentos
Com guerra santa
E a confusão é tanta
Que não dá!

Que trapalhada
Tão desajustada!
                                                                  Ninguém conhece alguém
                                 Sem pedir licença aos olhos da alma
E disponibilizar o coração.

Identidade

Vou esboçar-te quem sou
Contigo não faço escritura
Mas o livro que te dou
Tem a minha assinatura.
                             Aventureira não sou…
                             Pelo contrário, sou medrosa!
                             Se me dou a verso ou prosa,
                             É porque confio em Deus,
                             Não passei pelos liceus
                             Sou como sou!
Faço erros,
Tenho defeitos
              Mas…
Não terei alguma qualidade?
                             Sou como uma flor campestre
                             Nascida ao canto dum jardim
                             Que apesar de ser silvestre
                             Sente o mesmo que o jasmim.

Quem sou eu?

Sou apenas um poema
               Construído com pedaços
                                De triunfos e de dilemas…

Peregrinação

Sou peregrina na terra
Caminhando para a estação
Onde hei-de embarcar
No fim da peregrinação.

A distância não a sei!
Só sei quando comecei:

Comecei a 15 de Maio
E sem haver nenhum ensaio
Começou o meu itinerário
Simples, precário,
Mas o mundo não o vê…

De Deus estou à mercê!

Ele não me explicou
Se muito tempo fico,
Se tarde vou,
Nem a tarefa que tinha…
Só sei que é sina minha,
Mais sofrer que me alegrar
Mas muito tempo que levar
Do que colhi nesta vida!

Segredos da alma

Passa na estrada
Um teu semelhante!

Quem vai a passar?
A dor ambulante
Ou um sorriso a espalhar?

Uma vida triunfante
Ou o êxodo a caminhar?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Madrugada


À luz ténue da madrugada
Acorda a pureza das flores
Começa a limpar-lhes
Suas pétalas orvalhadas
Esses cristais
Que as banharam com amor.

E depois de escutar suas pétalas
As suas sépalas, as suas corolas
E os seus pés,
Num acto de fé
E de amor
E, num sorriso bem aberto,
cumprimentam o Sol
Já desperto,
Que lhes faz brilhar
As suas lindas cores.

Reflexo da alma

Há uma serenata no teu olhar

No teu coração.
Transparece a flor da humanidade
Porque nele há amor
E a bondade nele habita.

Há a inocência e a timidez
De criança

Na tua alma, há o encanto
Da balada da solidariedade.

Poesia

Não é chegar à janela
E pôr a poesia a voar
É aos poucos morrer por ela
Até ela te matar.

A poesia não morre
Tem um elo bem profundo
Já vem de tempos idos
E fica sempre no mundo.

Candura

A tua imagem, doce criança,
No meu peito imprimi
Por vezes, vem-me à lembrança
A candura que eu vi em ti.
                         Por certo, já houvera em mim
                         Esse olhar inocente
                         Que não nota quando lhe mentem
                         Mas nem sempre é assim.

Balada no ar

Os pássaros em bando
Bailam no ar
Numa dança harmoniosa
Que parece uma balada.

E quem sabe?
Se estão a cantar e dançar
A balada dos tempos?

Lírios do campo

Em sonho,
Encontrei-me num campo!

Parecia uma ilha de flores
Lírios em cada canto
Azuis, amarelos e brancos
De tanta beleza
Que, por momentos,
Esqueci a tristeza.

Parecia um manto
Me envolvia,
E me fazia olhar...
E pensar...
Estes vão morrer,
Mas a vida tem de continuar
E todos os anos,
Nascem lírios no campo.

Pensamento vadio

Às vezes,
O meu pensamento
Anda peregrino no ar
Como o balão
Ao sabor do vento.
Por vezes,
Não sei onde vai parar,
E queria travá-lo
A Teu contento
               Meu Amigo,
Se o vires passar
Deita-Lhe a Tua Mão
Não o deizes vadiar
Doutrina o meu pensamento.

Ventania


BOREAS ABDUCTS OREITHYA 
Peter Paul Rubens
Ouvi o vento passar
Uivava, parecia zangado
Seria por encontrar o mundo tão desamado?

Uma criança sorriu-lhe
Pedindo-lhe para parar
Abrandou, prometendo,
Que mais um prazo ia dar.

Coração arquivo

O meu coração é arquivo
É armazém
É mar...

É terra funda sem cultivo
Sem fruto para dar

É rocha,
Que não parte à primeira

É areia movediça
Que sepulta
Que engole e tapa
Que não destapa
Porque há sempre barreira

Há que calar
Porque é sacrário
De alguém,
Que sabe de justiça
E sempre soube amar.
A amargura,
Não pode transformar-se em alegria
Mas pode transformar-se
Em poesia.

Piano da vida

No piano da minha vida
Onde toco minha canção
Nas teclas imaginárias
Há uma emoção contida
                        Nelas...
Os seus encontrados
Da letra não programada
                                 e,
Também não preferida,
Só toco o que manda a vida
Guiada por Ele eu toco
Aquilo que sei e não sei!

Dor

Há um grito abafado
No Maio do meu corpo
Um ramo a chorar
Com folhas a cair
Um Outono que chega
Sem data de calendário.

Opção

Caminho entre o povo
Caminho, caminho...
No meio dos bons
Poderei também ser boa
Mas, no meio dos maus,
Oh!
Entravam o caminho
Acendem holofotes
Para brilhar à minha volta
                             Mas...
O brilho cega os olhos da alma
impedindo-me de ver claro
                             Páro!
Saio da praça
Da luz resplandecente
Que se pode fundir
Sigo o caminho
Da luz prudente
Que não cansa os olhos
E ilumina sempre.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Despertador

Pus meu relógio a despertar
Para acordar seu coração
Mas esqueci-me de avisar
E ele tocou em vão.

Estou aqui a pensar
Se lhe dou corda outra vez
Tenho em mente o talvez...
Não sei por onde optar.

Se, o seu coração está em coma
Não o ouve de certeza
Mesmo que toque com firmeza.

Vou aguardar mais um tempo!
Com o tempo e com alertas
Espero que ele desperte.
A saudade,
Por vezes é amargura
Que no coração se instala!
Outras vezes é lonjura,
Duma doçura...
Que esse longe não apaga.

A quem agrado?

Não vou desiludir,
A opinião que têm de mim
A uns posso sorrir...
A outros... a outros não!

Já dizia o tio João
Sem curso, mas bem letrado
Que por vezes há confusão
Entre o certo e o errado
E tinha muito esta frase,
E disto fazia "bis"
Há quem não diga o que sabe
E há quem não saiba o que diz...!

Virar a página




Deixo para trás
Um cheiro a vazio
Vou cantar uma canção
À beira do rio.

Nas suas águas
Lavarei  in has mágoas
Para delas nada ficar!
Chamarei o humor
E sem medo, sem temor,
Minha página vou virar.

Corpo Alérgico

O meu corpo é um convento
Duma ordem bem rigorosa
Não pode haver muita prosa
É mais contemplativa!
E, em dados momentos,
Este meu corpo convento
É uma ordem aflitiva.

De jarros me vesti,
De malmequeres me embrulhei
De várias flores,
Minha capa era dor!
De mimosas, minha blusa
A respiração uma intrusa
E meu corpo martirizei.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Caminho para a Tua cruz
Todos os dias

Neste momento,
Estou envolta em pensamento:
Páro neste deserto!
Vou no caminho certo?
Mas, não há outra estrada
Nem outra ponte!
Quero ir à Tua fonte
Que refresque minha secura
Neste instante de amargura.

Sede

Gota a gota me hei-de saciar
Bebendo às escondidas, em segredo,
Olhando-me, ninguém vai acreditar
Quanto espero por esta água do Rochedo!

E, talvez, rogue um dia em abundância
Quem sabe, sequiosa como estou,
Ele tenha para mim a tolerância
Dum amigo que tudo perdoou. 

Minha alma sequiosa assim espera
Como um soldado na batalha
Espera o fim da guerra.

Dar-lhe graças não me hei-de esquecer
Pedir-lhe mil vezes
Para eu o merecer.

Sonhos por pintar

Nunca pintei os meus sonhos
Por serem tão esbatidos,
Sem ter cor para lhes dar
Ficaram apenas em esboço
Parados, sem sentido
Não os pude executar.

Sem resposta

Sinto cansaço
Que parece antecipado!
                  As saudades que sinto
Não é do passado
Mas daquilo que não conheci!
                  É como se uma carta
Tivesse sido escrita
E enviada para mim
E que não me entregaram!
                  O seu conteúdo,
Ficou perdido,
Sem resposta,
Sem dono!

Depois...

Abre teu coração ao sol
Que hoje nasce para ti
Filtra os seus raios
E embriaga-te com o seu calor
Cega-te na luminosidade
Que te cobre o rosto
E serás feliz!
E, ao fim da tarde,
Ao sol posto
Num leve torpor,
Num doce desmaio,
Desfaleces de amor!
Ao caminhar no meu jardim
Encontrei um enorme gafanhoto
Eu dei um salto por medo
E deu um salto por gosto.

Meu coração saltava
Numa taquicardia sem fim
Mas depois de estar mais calma
Até de mim eu me ri.

Ter medo de um bicharoco…
Se encontrasse um elefante?
Morreria nesse instante?
Sim! Comparado com um gafanhoto…
Ouço foguetes no ar
Ouço tocar o gaiteiro
Sinto o pé a saltar…
Deixem-me passar
Quero ir ver o foguetário

Lindo! Tanta mocidade nas ruas
Alegres, felizes, contentes,
Aproveitem a juventude
Que ela passa num momento
E mais tarde vêm amarguras

Minhas perninhas em nova
Também tiveram bailaricos
Agora, com os pés para a cova,
Sem parceiro e sem jeito
Nada feito… Tenho dito!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Nas asas do silêncio
Eu me abrigo!

Delas faço o meu tecto
E a elas me confesso.

O segredo é só nosso
Onde só Deus pode penetrar.
Desejo amar a todo o mundo
Com o afecto mais profundo
Que o coração possa dar
Multipliquem-no por cem
Por mil ou muito mais
Para todos alcançar
O amor é louco…

A maior cegueira

Tão ceguinhos os meus amores
E um poucos surdos também
Mas, guiados por uma cegueira
Como podiam ver mais além?
Um cego,
Não pode guiar outro cego!
Podem cair num buraco!
E, na queda,
Se pudessem abrir os olhos…
Diriam:
Como a justiça é cega.

Pirilampos e Borboletas

Roubaram à natureza
Muito encanto!
Pirilampos piscando
De noite ao luar
As crianças roubando
Que leve encanto de as apanhar
Para verem na sua mão
A luzinha a brilhar.

Lembro-me também, com saudade,
De ver alguns quintais
Sob o sol da tarde
Tantas borboletas a voar
Tantas cores a desenhar
Que era de encantar
Brancas, amarelas, vermelhas
E algumas quasi pretas
Que fizeram às borboletas?

Esperança

A esperança é minha amiga
Como um anjo da guarda
Que me acompanha
Com ela dentro de mim
Consigo mover montanhas

A esperança, ajuda a enaltecer mais de-va-gar
É remédio que se busca
Que não é preciso comprar